CURSO DE CINEMA ARTÍSTICO - AULA 2 - THOMAS EDISON, AQUELE DA LÂMPADA
Thomas Edison, aquele da lâmpada
Pasmem, os irmãos Lumière não criaram
o cinema. Dois anos antes da famosa exposição de 1895 dos irmãos franceses (que
serão estudados na próxima aula junto com Meliès e Griffith), Thomas Edison,
aquele mesmo da lâmpada, patenteou seu cinetoscópio, e no ano seguinte (1894)
organizou o primeiro salão de cinetoscópios em Nova Iorque, no qual cada um dos
dez cinetoscópios mostrava ao público filmes diferentes.
Cinetoscópio
O brasileiro é engraçado, ele grava
na memória “Thomas Edison, aquele da lâmpada”, e pronto, agora ele já sabe tudo
sobre esse inventor, e pode passar a estudar outro grande homem, como
Dostoievsky, aquele que disse “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Na
verdade, Thomas Edison registrou mais de 2000 patentes! A pergunta que fica é:
será que ele criou todos esses inventos por ele patenteados? Muitos acusam Edison
de ter roubado ideias de outros inventores, inclusive no tocante à lâmpada. O
certo é que não podemos negar a genialidade desse homem. Falando em
genialidade, é dele a famosa frase: “O gênio consiste em 1% inspiração e 99%
transpiração”. Modesto...
Dentre “suas” principais invenções
estão o fonógrafo, primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons
(sendo que Edison tinha sérios problemas auditivos, o que não impressiona tanto
porque sabemos que Beethoven compôs a nona sinfonia surdo), o referido cinetoscópio,
o cinetógrafo, primeira câmera cinematográfica bem sucedida e o vitascópio,
criado quando soube que o cinematógrafo Lumière viria aos EUA.
A mais grandiosa maravilha de Edison, o Vitascópio
Cinetógrafo
Havia uma verdadeira guerra entre os
inventores pela primazia do registro de patentes. Todos eram também homens de
negócio e lucraram muito com suas invenções (temos que reconhecer que se o
capitalismo tem sérios defeitos, essa competição inerente à livre iniciativa
certamente é um ponto positivo que contribui para o avanço da tecnologia).
Estamos no século XIX e sua ideia de progresso científico. E nesse século,
muitos inventos foram criados e aperfeiçoados, sendo que alguns foram
precursores do cinema.
Pode-se
dizer que o cinema vem da lanterna mágica e da fotografia. Quanto à primeira,
existente desde o século XVII, consistia num espetáculo no qual o apresentador
mostrava ao público imagens coloridas projetadas numa tela, através do foco de
luz gerado pela chama de querosene. Vozes, música e efeitos sonoros também eram
utilizados ali. A lanterna mégica, como espetáculo de massas, foi um precursor do cinema.
Lanterna mágica
A fotografia foi determinante na
criação do cinema na medida em que fotógrafos se empenharam em criar fotos em
movimento (motion pictures). Um deles foi Étienne-Jules Marey, que criou um “fuzil
fotográfico”capaz de registrar várias fases de um movimento numa única foto. Marey
era um brilhante fisiologista e estudou o movimento de diversos animais, sendo
dele a famosa tese de que todos os gatos caem sempre em pé. Meu amigo Diego,
porém, provou que essa afirmação não é verdadeira, pois ao ouvir em sua
infância que todos os gatos caem em pé, o pequeno Diego resolveu provar a
veracidade da referida tese pegando um gato pelo rabo, girá-lo e arremessa-lo.
O gato bateu de cabeça na parede e veio a óbito. Com isso, meu amigo aprendeu
duas lições: 1- Nem sempre os gatos quando morrem caem de pé; 2- Gatos
definitivamente não têm sete vidas.
Várias fases do movimento de um pelicano - Marey
Fuzil fotográfico de Marey, um fuzil que não tira vidas, mas sim louva a vida
O fotógrafo Eadweard Muybridge também
contribuiu com seu zoopraxiscópio, que, apesar de não capturar imagens,
dava a ilusão de movimento ao girar o disco.
Zoopraxiscópio
Também merecem ser mencionados como
influências ao cinema os brinquedos ópticos do século XIX, como por exemplo o taumatrópio,
fenaquistiscópio e o zootrópio.
taumatrópio, um lado com o vaso, outro com as flores
Fenaquisticópio
Zootrópio
Hora de voltar ao Edison para
tratarmos dos seus filmes. Era Edison um diretor? Não, Edison possuía diretores
que trabalhavam para ele, contudo seu nome é tão forte que atrai como um ímã todas
as criações para si. O estúdio de Edison teve como principais concorrentes no
início a Biograph, criada por Dickson, que usava o mutoscópio e a Vitagraph,
de dois empresários do Vaudevile (o Vaudevile era composto de diversas apresentações
diferentes, como musicais, ilusionismo, acrobatas, sendo que o cinema inicial
se tornará mais uma dessas apresentações).
Apresentação de um Vaudevile
Mutoscópio
Como exemplos de filmes de Edison,
podemos citar “The kiss”, de 1896. O filme consiste numa curta cena de um casal
se beijando. Tal filme causou uma enorme polêmica na época, sendo proibido em
diversos lugares. Críticos acharam a cena repugnante. Eu achei bonita, mas sou do século XXI.
Cumpre
mencionar também o “The great train robbery”, de 1903, o primeiro filme de
velho oeste.
O
filme Frankenstein, de 1910, é o primeiro filme sobre. Bem assustador para a
época.
Agora o melhor de todos de Edison: “The
land beyond the sunset”. Segundo o historiador de cinema William K. Everson, este
foi o “primeiro filme genuinamente lírico”. Trata-se de uma verdadeira pérola
do cinema primeiro. São aproximadamente 12 minutos de puro prazer, daquelas
tristezas que a arte sabe transformar em prazer. O filme conta a história de um garotinho pobre, vendedor de jornal, que é oprimido pela avó. A fotografia é realmente
inacreditável para um filme de 1912. A última cena me levou às lágrimas.
Assista e até a próxima aula!
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