domingo, 10 de novembro de 2013

CURSO DE CINEMA ARTÍSTICO - AULA 2 - THOMAS EDISON, AQUELE DA LÂMPADA




Thomas Edison, aquele da lâmpada



Pasmem, os irmãos Lumière não criaram o cinema. Dois anos antes da famosa exposição de 1895 dos irmãos franceses (que serão estudados na próxima aula junto com Meliès e Griffith), Thomas Edison, aquele mesmo da lâmpada, patenteou seu cinetoscópio, e no ano seguinte (1894) organizou o primeiro salão de cinetoscópios em Nova Iorque, no qual cada um dos dez cinetoscópios mostrava ao público filmes diferentes. 

Cinetoscópio

O brasileiro é engraçado, ele grava na memória “Thomas Edison, aquele da lâmpada”, e pronto, agora ele já sabe tudo sobre esse inventor, e pode passar a estudar outro grande homem, como Dostoievsky, aquele que disse “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Na verdade, Thomas Edison registrou mais de 2000 patentes! A pergunta que fica é: será que ele criou todos esses inventos por ele patenteados? Muitos acusam Edison de ter roubado ideias de outros inventores, inclusive no tocante à lâmpada. O certo é que não podemos negar a genialidade desse homem. Falando em genialidade, é dele a famosa frase: “O gênio consiste em 1% inspiração e 99% transpiração”. Modesto...

Dentre “suas” principais invenções estão o fonógrafo, primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons (sendo que Edison tinha sérios problemas auditivos, o que não impressiona tanto porque sabemos que Beethoven compôs a nona sinfonia surdo), o referido cinetoscópio, o cinetógrafo, primeira câmera cinematográfica bem sucedida e o vitascópio, criado quando soube que o cinematógrafo Lumière viria aos EUA.

A mais grandiosa maravilha de Edison, o Vitascópio


Cinetógrafo



Havia uma verdadeira guerra entre os inventores pela primazia do registro de patentes. Todos eram também homens de negócio e lucraram muito com suas invenções (temos que reconhecer que se o capitalismo tem sérios defeitos, essa competição inerente à livre iniciativa certamente é um ponto positivo que contribui para o avanço da tecnologia). Estamos no século XIX e sua ideia de progresso científico. E nesse século, muitos inventos foram criados e aperfeiçoados, sendo que alguns foram precursores do cinema.

Pode-se dizer que o cinema vem da lanterna mágica e da fotografia. Quanto à primeira, existente desde o século XVII, consistia num espetáculo no qual o apresentador mostrava ao público imagens coloridas projetadas numa tela, através do foco de luz gerado pela chama de querosene. Vozes, música e efeitos sonoros também eram utilizados ali. A lanterna mégica, como espetáculo de massas, foi um precursor do cinema. 

Lanterna mágica

A fotografia foi determinante na criação do cinema na medida em que fotógrafos se empenharam em criar fotos em movimento (motion pictures). Um deles foi Étienne-Jules Marey, que criou um “fuzil fotográfico”capaz de registrar várias fases de um movimento numa única foto. Marey era um brilhante fisiologista e estudou o movimento de diversos animais, sendo dele a famosa tese de que todos os gatos caem sempre em pé. Meu amigo Diego, porém, provou que essa afirmação não é verdadeira, pois ao ouvir em sua infância que todos os gatos caem em pé, o pequeno Diego resolveu provar a veracidade da referida tese pegando um gato pelo rabo, girá-lo e arremessa-lo. O gato bateu de cabeça na parede e veio a óbito. Com isso, meu amigo aprendeu duas lições: 1- Nem sempre os gatos quando morrem caem de pé; 2- Gatos definitivamente não têm sete vidas.



Várias fases do movimento de um pelicano - Marey


Fuzil fotográfico de Marey, um fuzil que não tira vidas, mas sim louva a vida


O fotógrafo Eadweard Muybridge também contribuiu com seu zoopraxiscópio, que, apesar de não capturar imagens, dava a ilusão de movimento ao girar o disco.

Zoopraxiscópio


Também merecem ser mencionados como influências ao cinema os brinquedos ópticos do século XIX, como por exemplo o taumatrópio, fenaquistiscópio e o zootrópio.

taumatrópio, um lado com o vaso, outro com as flores




Fenaquisticópio

Zootrópio



Hora de voltar ao Edison para tratarmos dos seus filmes. Era Edison um diretor? Não, Edison possuía diretores que trabalhavam para ele, contudo seu nome é tão forte que atrai como um ímã todas as criações para si. O estúdio de Edison teve como principais concorrentes no início a Biograph, criada por Dickson, que usava o mutoscópio e a Vitagraph, de dois empresários do Vaudevile (o Vaudevile era composto de diversas apresentações diferentes, como musicais, ilusionismo, acrobatas, sendo que o cinema inicial se tornará mais uma dessas apresentações).




Apresentação de um Vaudevile



                                 
        
Mutoscópio 


Como exemplos de filmes de Edison, podemos citar “The kiss”, de 1896. O filme consiste numa curta cena de um casal se beijando. Tal filme causou uma enorme polêmica na época, sendo proibido em diversos lugares. Críticos acharam a cena repugnante. Eu achei bonita, mas sou do século XXI.





Cumpre mencionar também o “The great train robbery”, de 1903, o primeiro filme de velho oeste.






O filme Frankenstein, de 1910, é o primeiro filme sobre. Bem assustador para a época.



Agora o melhor de todos de Edison: “The land beyond the sunset”. Segundo o historiador de cinema William K. Everson, este foi o “primeiro filme genuinamente lírico”. Trata-se de uma verdadeira pérola do cinema primeiro. São aproximadamente 12 minutos de puro prazer, daquelas tristezas que a arte sabe transformar em prazer. O filme conta a história de um garotinho pobre, vendedor de jornal, que é oprimido pela avó. A fotografia é realmente inacreditável para um filme de 1912. A última cena me levou às lágrimas. Assista e até a próxima aula!





           














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