quinta-feira, 9 de abril de 2020

LULA (O ANIMAL MARINHO)

Tal qual a lula, tenho três corações:
Um principal e dois subsidiários.
O principal bate por Rosa de Camões,
O segundo pela Carla do Rosário,
O último bate por ti, Jurema.

Não me queira mal, Jurema, minha paixão,
pois também te levo em (um) meu coração!

No oceano profundo há uma guerra infinita;
quando um predador avança em uma das três
Recebe na cara meu jato de tinta

(veneno que repele veneno)

Com meus oito braços poderia até abraçar a Eva Paz,
caso eu tivesse um coração a mais.
Não, não chore, Jurema minha!
O mar já tem água salgada em demasia.

Queres que eu seja só seu, Jurema,
mas creio que há um problema,
Entenda de uma vez o que agora lhe explano:
O amor líquido impera no oceano.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O GOLPE (DO CUPIDO)

Que saudade, amor!
Que saudade, sentimento amor!
Pensei que tivesse pra sempre me abandonado.
Ah, doce sabor... o mais doce sabor
Cuja existência eu havia olvidado...
Quando tu reinas soberano,
Tudo o mais vira segundo plano,
Inclusive a política.
Sim, o amor é maior até que a política!
Veja você, um golpe está em curso na nação,
Porém, só consigo pensar no golpe
Que a flecha do cupido deu no meu coração...

Mas, chega de escrever, já o fiz em demasia
Enquanto Cupido errava sua pontaria.
Sendo assim, com licença, caro leitor,
Que melhor que escrever sobre o amor
É VIVER O AMOR!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

PELE É UM REAL, PELE (UMA CENA NO TREM)

GOSTO DE VER A ALEGRIA DO POVO
QUANDO ESTÁ COMENDO.
AS CONTAS TERRÍVEIS BATEM À PORTA,
O MARIDO RODOU NO TRÁFICO,
FILHOS JÁ SÃO OITO
E O NONO ESTÁ POR VIR,
MAS, QUANDO A SENHORINHA HUMILDE
MORDE COM VONTADE A SUA PELE
(ESPÉCIE DE BACONZITOS MAIS ACESSÍVEL)
OS PROBLEMAS SOMEM NUM PASSE DE MÁGICA.
 UM LEVE SORRISO INVOLUNTÁRIO E PURO
BROTA EM SEU SEMBLANTE ANTES CARREGADO.
APÓS, ELA ADOÇA SUA VIDA DANDO UM GOLE
NUM GUARAVITA BEM GELADO
(BEBIDA SAGRADA QUE CUMPRE UMA FUNÇÃO SOCIAL).
ENTÃO A SENHORINHA SUSPIRA COM OS OLHOS FECHADOS
E FINALIZA DEGUSTANDO A SOBREMESA:
UMA JUSTA E DIGNA BANANADA TIJOLÃO.
AGORA A PAUSA ACABOU, E VOLTA A VIDA MISERÁVEL...


PERCEBE-SE O MOTIVO DESTA SENHORINHA SER DIABÉTICA:
ELA FAZ ESSE LANCHE NADA SAUDÁVEL DIARIAMENTE.
E O PIOR, ASSIM TAMBÉM ALIMENTA SEUS FILHOS.
CONTUDO, ISSO NÃO IMPORTA.
NA VERDADE IMPORTA E MUITO, MAS NÃO AGORA...
AQUI FOQUEMOS NO BELO E HUMILDE SORRISO.
QUE LINDO E ESPONTÂNEO SORRISO DE MERECIDO ALÍVIO!
AH, VOCÊS TINHAM QUE TER VISTO...






quarta-feira, 27 de abril de 2016

ONDE ESTÁ WALLY DA SILVA?


"AI!", gritou alguém (?) no meio dos sacos de lixo
 na rua São Francisco Xavier agora pouco.
"Desculpa!", disse eu, constrangido,
após acertá-lo por engano com meus sapatos velhos.
Não pude ver que ali havia um ser humano (?),
pele negra entre os sacos pretos.
Era Wally da Silva, vestindo trapos, toca preta
e um óculos com apenas uma lente e quebrada.
Ele não disse mais nada, e calçou meus sapatos velhos,
Pois estava descalço, os pés completamente imundos.
No lixo jogamos o que descartamos:
Sapatos velhos, garrafas vazias, Wally da Silva...

Onde está sua casa, Wally da Silva? Debaixo do viaduto.
Onde estão seus pais, Wally da Silva? Mortos pelo crack.
Onde está Wally da Silva? Ninguém sabe, ninguém viu,

Ninguém quer saber

Onde está Wally da Silva? Ninguém sabe, ninguém viu

O invisível.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

METAPOEMA

Minha meta é escrever um poema
Que seja lido e compreendido por todas as gerações,
Que extraia rios de lágrimas dos olhos
De todas as raças e classes sociais

A tua meta é enriquecer
e para atingi-la tu gastarás tua vida,
tua saúde e tua verdade.
Contudo, somos velhos amigos, e te desejo boa sorte.

A minha meta é escrever um poema
Tal qual um colosso, um titã,
que abarque toda a nossa era,
e seja uma mistura de amor e abalos sísmicos

Pela análise de nossas metas, conclui-se o seguinte:
Há uma enorme incompatibilidade entre nós.
Porém, sei que sempre seremos bons amigos,
relembraremos nossas histórias e daremos gargalhadas.

A minha meta é escrever um poema,
e por isso tu dizes que não sou ambicioso.
Nada mais equivocado, meu amigo...
A ambição não é monopolizada pelo dinheiro

Quero que façam uma estátua minha,
com um violão debaixo do braço,
sentado numa pilha de livros.
Podem colocá-la em frente à Cachaça da Lapa.

Quero que os pombos boêmios me batizem
cagando suas bostas sagradas em minha cabeça.
E, na diminuta placa, favor não escrever que fui grande,
pois minha época não permite que eu assim o seja.

Escrevam apenas: "Eis um homem que viveu plenamente".

terça-feira, 8 de setembro de 2015

DJTADOR

DJtador

Comédia em um ato.

Personagens:
- Hugo, o aniversariante
- DJ
- Churrasqueiro
- Barman
- Vidal, o convidado stalinista
- Arturo, o convidado trotskista
- Yudi, o convidado anarquista
- primo do Yudi, também anarquista
- Bob Marley, esquerdista com modos pacíficos
- João von Reichenau – convidado burguês
- Maria strozzelli – convidada burguesa, namorada de João
- Sepúlveda de Nóbrega – convidado burguês
- Carolina Kimura – convidada burguesa, namorada de Sepúlveda

CENA ÚNICA

Na parte central do palco encontra-se o DJ, sentado numa cadeira enorme que o deixa acima dos demais. Também no centro fica o barman. O churrasqueiro encontra-se num ponto mais afastado do palco. No lado direito estão os burgueses; no lado esquerdo os esquerdistas. O DJ está tocando Molejo. Os burgueses, muito bem vestidos, conversam sem animação. Os esquerdistas, com seus enormes blackpower, estão com a cara fechada.

Hugo – Maravilha, chegaram os últimos convidados. Fala, Joãozinho! E aí, Maria!

João von Reichenau – Parabéns, meu parceiro! Trouxe cerveja e esse presente pra você.

Hugo – Brigadão, amigo, não precisava.

João e Maria vão para a mesa do lado direito.

Yudi - Parabéns, irmão! Trouxe o meu primo, ele também é anarquista, sabia? Inclusive é black bloc, não espalha não.

Hugo, virando-se para o primo do Yudi – É mesmo? Muito prazer! Eu escrevi um texto defendendo os black blocs quando eles atuaram em defesa dos professores, mas uma galera da minha família e da religião onde eu fui criado achou que eu fosse um black bloc, inclusive alguém da igreja falou pra todo mundo que eu quebrei um caixa-eletrônico, hahaha. Mas, me diga, por que você decidiu se tornar um black bloc?

Primo do Yudi – Porque nessa manifestação dos professores vi que a polícia tava metendo a porrada nos estudantes, e como eu gosto de uma boa briga, resolvi cobrir o rosto e meter a porrada na polícia. Bati em vários policiais, foi muito bom!

Hugo – Então você só virou black bloc por isso?

Primo do Yudi – Sim.

Hugo – Compreendo... Olha, fica à vontade, tá, tem cerveja, coca-cola...

Yudi e o primo se sentam à mesa da esquerda.

Vidal – Essa música tá uma merda! Molejo não dá, achei que rolaria um samba de verdade, um Cartola...

Bob Marley – Po, brother, podia tocar um Bezerra da Silva, mas Molejo tá suave, na paz.

Vidal – Só quero ver que música vai tocar quando a galera começar a se animar. Aposto que vai ser um popzinho barato, esse DJ é burguês e essa festa tem burguês demais pro meu gosto...

Arturo – Pode crer, vamos ouvir o papo dos caras!

Os esquerdistas param de falar e prestam atenção à conversa dos convidados burgueses.

Sepúlveda de Nóbrega – Blablabla Royalties! Blablabla energia!

Maria Strozzelli – Blablabla iniciativa privada Blablabla iate! Blablabla excelente safra!

Arturo, gargalhando – Olha essa galera, os caras só pensam em dinheiro!!!

Todos concordam e riem.

Carolina Kimura – Aí, gente, vocês tão vendo aquele pessoalzinho estranho ali? Olha o cabelo deles! Parecem até mendigos... Guardem seus celulares, sério. O Hugo é amigo de cada coisa...

Sepúlveda de Nóbrega – Olha aquele ali com camisa da Hering! Playboy se passando por revolucionário. Ser comunistinha sustentado pelos pais é mole, né?

João von Reichenau – É verdade. Vamos ouvir a conversa deles, aposto que só vão falar de drogas e Che Guevara!

Os burgueses param de falar e prestam atenção à conversa dos convidados esquerdistas.

Bob Marley – Blablabla Maconha! Blablabla Miçanga!

Primo do Yudi – Blablabla luau! Blablabla paredão! Blablabla molotov!

João von Reichenau – Viu só? Bando de vagabundos viciados! Depois falam que é preconceito, esteriótipo! Hahahahah! Esteriótipos não são criados à toa...

Maria Strozzelli – Verdade, meu amorzinho, me dá um beijinho aqui! Vou ali pegar uma caipirinha e já volto!

Maria vai até o barman.

Maria Strozzelli – Oi, tem caipirinha de lichia?

Barman – Poxa, meu anjo, de lichia vou ficar te devendo, mas tem de limão, maracujá, morango e abacaxi.

Maria Strozzelli – Deixa pra lá, só gosto da de lichia, não vou querer não.

Barman olha com uma cara de “Ah, burguesinhas...”. Maria volta à mesa. Hugo vai para a parte da esquerda.

Vidal – Que sonho, hein, Hugo, um cara fazendo um bom churrasco e me servindo, o outro preparando drinks pra mim... Festa da burguesia é outra coisa, né! Hahahahah.

Hugo – Não sou burguês!

Vidal – É, mas você também não é um dos nossos! Um dia a vida vai te forçar a escolher um lado.

Hugo – É possível, mas até lá vou continuando em cima do muro.

Bob Marley – Galera, vou ali no meio fumar um cigarro.

Hugo – Cigarro, sei...

Bob Marley acende um cigarro na parte central do palco. João von Reichenau avista a cena de longe e se aproxima lentamente.

João von Reichenau – Ô cabeludo! Opa, desculpa perguntar, mas... você vende maconha?

Bob Marley – Po, brother, tá achando que eu sou trafica só por causa do meu dread?

João von Reichenau – Não, jamais!

Bob Marley – Tá de boa então. Pra falar a verdade eu tenho maconha aqui.

João von Reichenau – Então você vai me vender?

Bob Marley – Não, porra! É pra gente fumar junto, se você quiser.

João von Reichenau – Poxa, valeu mesmo! Somos bastante diferentes, mas a maconha nos une! Tem coisa que todo mundo gosta, independente da classe social.

Bob Marley – É verdade...

Bob e João vão para um canto isolado fumar. Bob fuma com vontade e passa para João, que fuma com cara de nojinho. João volta para a mesa da direita.

Carolina Kimura – Maria, olha o olho vermelho do seu namorado! Que que você andou fazendo, hein, João?

João von Reichenau – Eu...eu me emociono sempre que ouço essa música.

Sepúlveda de Nóbrega – Brincadeira de criança, do Molejo?

João von Reichenau – Tudo que mexe com infância me traz nostalgia, sabe...

Carolina Kimura – Vai mentir pra outro, rapá! Eu vi você de papo com o doidão de dread. Juro, parecia o encontro de dois mundos distintos. É como se vocês fossem feitos de uma massa diferente.

João von Reichenau – Isso é verdade, mas a gente só trocou uma ideia. Até que aquele crackudo é gente boa.

O churrasqueiro serve carne aos burgueses.

Maria Strozzelli – Ih, moço, pode voltar com essa carne, tá muito mal passada!

O churrasqueiro fecha a cara e serve os esquerdistas, que atacam a carne como se fosse a última refeição de suas vidas.

Vidal – Boa, churrasqueiro! Essa carne tá vermelha do jeito que a gente gosta!

Todos à mesa gargalham. Sentindo que o clima da festa era propício, o DJ solta a primeira música mais animada da festa: Barbie girl. O DJ canta e dança empolgado.

Yudi – Porra, Barbie girl é sacanagem!

Vidal – Sim, é um insulto! Hugo, vem cá!

Hugo – Fala, Vidal.

Vidal – Cara, olha a música que esse DJ tá colocando! Eu quero uma festa punk!

Arturo – É, Hugo, fala pro DJ tocar Garotos podres, Gangrena gasosa...

Vidal – Do contrário, vamos ter que tomar uma providência...

Vidal brinca com a faca de plástico.

Hugo – Ih, vai ser difícil, mas vou falar com ele.

Hugo vai até o DJ; os esquerdistas estão atentos à conversa.

Hugo – Aí, DJ, a galera da esquerda ali tá pedindo um som mais pesado, um punk rock...

DJ – Tá maluco? Punk rock num churrasco? Cara, eu sou o DJ e as pessoas vão ouvir o que eu quiser colocar... e elas vão gostar, porque existe uma fórmula infalível para músicas de churrasco: Primeiro, um sambinha; depois, quando o efeito do álcool começa a bater, pop, hip-hop e dance; e quando o álcool já está dominando a todos, funk. É um padrão, é um ritual. Não queira estraga-lo.

Hugo – Tudo bem, vou dar a má notícia a eles.

DJ – Sim, faça isso! Eu tenho uma reputação a zelar...

Hugo vai até os esquerdistas.

Vidal – Já ouvimos tudo. Quer dizer que é assim? “As pessoas vão ouvir o que eu quiser colocar?”. Ditador maldito! Se ele não ouve as reivindicações das massas ele é um inimigo do povo e tem que morrer!

Vidal pega um espeto de churrasco.

Hugo – Tá maluco, Vidal? O DJ é meu amigão, vai querer passar o cara no espeto?

Vidal – Não tem essa de amigão... onde você vê amigão eu vejo opressão! E opressão é opressão e deve ser combatida, seja no Estado, no ambiente de trabalho, numa relação amorosa... ou nas carrapetas de um DJ de churrasco! Me admiro você, Hugo, compactuando com isso...

Hugo – Não tô curtindo as músicas também, só não quero que você mate o meu amigo. E no dia do meu aniversário!

Vidal – Posso mata-lo amanhã, se ficar melhor pra você...

Hugo – Porra, não foi isso que eu quis dizer! Ah!

Hugo vai até o barman.

Hugo – Opa, quero uma dose de cachaça pura.

Barman – purinha mesmo?

Hugo – Sim, manda.

Hugo entorna o copo de cachaça aparentando nervosismo.

Hugo, pensando alto – Vai dar merda, to vendo...

Sepúlveda de Nóbrega – Po, Hugo, você nem tá dando muita atenção pra gente! A gente tava falando aqui que o PT é muito corrupto, precisamos colocar o Aécio na presidência! O PT está acabando com esse país, o euro está mais de quatro reais, só pude ir uma vez pra Europa esse ano!

Hugo – Desculpa, Sepulvedinha, mas sabe como é, o aniversariante é sempre muito requisitado. Vou pegar uma bebida.

Hugo vai até o barman e repete a dose.

Hugo, pensando alto novamente – Porra, tá pra rolar uma revolução sangrenta e esses tucanos nem se tocam! Bando de tapados mesmo.

Vidal – Galera, vamos decidir o que a gente tem que fazer. Eu acho que tem que usar de violência mesmo, revolução é assim. Cada um pega um espeto e a gente bota esse DJ opressor pra correr.

Arturo – Não, sem violência. Esses stalinistas só pensam nisso.

Vidal – E vocês, trotskistas vivem fugindo da raia quando a chapa esquenta. Típico! Você acha que Stalin trouxe a violência pro mundo? Trotsky era o cãozinho do Lênin, e os dois mataram muita gente. Stalin aprendeu a usar a violência política com eles.

Arturo – Nada disso, Vidal. Estamos no aniversário do nosso amigo. Temos que tirar o cara sem violência, e eu vou ser o novo DJ. Estou com meu pen drive aqui.

Vidal – Ei, por que você vai ser o novo DJ? O meu HD externo está comigo e sou um DJ muito melhor que você. Na chopada do IFCS você colocou Macarena e quase te espancaram por causa disso, eu lembro! Bob, dá a sua opinião aí.

Bob Marley – Po, mano, na paz, deixa a música rolar aí, tô tranquilão.

Vidal – Na paz??? Pqp... E você, Yudi, fala aí!

Yudi – Eu acho que não tem que ter DJ, cada um coloca a música que quiser ouvir.

Primo do Yudi – Ta aí uma boa ideia!

Vidal – Porra, mas aí vira bagunça!

Primo do Yudi, exaltado – ô, rapá, bagunça não, vê lá, hein!

Hugo, gritando de longe – Yudi, acalma o porradeiro do seu primo aê.

Vidal, com calma – Yudi, eu já te falei, você tem que ter organização! Vai tirar o DJ como, sozinho? Quebrando o equipamento dele?

Primo do Yudi – Tá aí outra boa ideia...

Yudi – Organização? Tô vendo a organização de vocês, um quer matar o DJ, o outro quer expulsá-lo sem violência e o Bob ali tá sempre de boa com tudo, nem parece que é esquerdista!

Bob Marley – Sem estresse, mano!

Vidal – Bom, como eu não sei, mas a gente vai ter que mudar essas músicas. Quanta desanimação! Olha só em volta, tá todo mundo sentado e calado!

Vidal aponta para a plateia.

Vidal – Se ninguém chega num acordo eu vou lá resolver sozinho.

Vidal faz uma pose imponente e vai até o DJ. Chegando lá, sozinho, ele fica intimidado e baixa a bola.

Vidal – Po, brother, me perdoa, mas será que você deixaria eu colocar uma música? Aqui meu HD externo.

DJ – Vou guardar aqui seu HD, depois eu ponho, ok?

Vidal – Beleza, muito obrigado, viu?

Vidal volta para a mesa dos seus amigos.

Vidal – Aquele safado me enganou direitinho! Vai deixar meu HD mofando ali...

Arturo – Se ferrou, Vidal! Hahahahahah.

Vidal – Você tinha que ter ido comigo, isso sim! Juntos somos fortes! Que a vontade da maioria prevaleça! Olha lá, temos uma pessoa a mais que eles.

Yudi – Errado, o DJ já provou que é burguês, então empata. O Hugo, como sempre, em cima do muro... E o churrasqueiro e o barman, coitados, certamente são pobres e apolíticos.

Bob Marley – Olha o preconceito, Yudi! Por que os caras são apolíticos?

Yudi – Eu sei das coisas. Essa galera mais humilde ou despreza a política ou faz comentários “Bolsomito”, como os taxistas.

Arturo – Camaradas, pra que contar quem é maioria? O DJ tem o poder, não importa o número dos presentes.

Vidal – Tem o poder por pouco tempo... vou ali pegar uma carne sangrando.

Vidal vai até o churrasqueiro. Nesse ínterim o DJ coloca MMM bop, dos Hanson. O DJ dança muito empolgado.

Yudi – Aí já é demais, galera. Botar Hanson é como xingar a minha mãe! Vamos tirar o ditador do poder!

O primo do Yudi esconde o rosto com um lenço. Chega o churrasqueiro na ala esquerda.

Churrasqueiro – Pessoal, uma faca minha sumiu. Alguém viu?

Vidal – Não, mas se eu souber de algo eu te aviso.

O churrasqueiro olha Vidal desconfiado e volta à churrasqueira.

Arturo – Isso tá com cheiro de Vidal, pode falar!

Vidal, mostrando a faca – Meu lema é: Esteja sempre preparado! Agora sim, vamos fazer justiça, galera!

Os cinco esquerdistas vão decididos até o DJ.

Bob Marley, cruzando os braços – Qual vai ser, DJ? Dá o papo!

O DJ olha aquele bando de black power rodeando ele e morre de medo.

DJ – Pessoal, já que vocês queriam colocar outras músicas, podem colocar. Preciso ir, tenho que... pegar minha filha na creche.

Yudi – Domingo à noite?

DJ – Sim. Fui!

DJ sai levando sua enorme cadeira. Esquerdistas rapidamente assumem o poder, colocam Smells like teen spirit no volume máximo e começam a gritar “Aê!” e “Viva la revolucion!”, depois fazem uma rodinha animada, pulando e se empurrando. Os burgueses ficam chocados e decidem ir embora.

FIM

















sexta-feira, 24 de julho de 2015

KEBAB

 Kebab – Comédia em um ato

Personagens
Germano
Otomano
Jan III da Polônia
Landsknecht (mercenário).
Esposa do Otomano

ATO I – Cena I (Cerco da casa do Germano - 1529) 

Germano, assobiando a Missa super dixit Maria (Kyrie), de Hans Leo Hassler, está colocando as últimas pedras no muro que envolve sua casinha em estilo enxaimel, enquanto, ao fundo, o mercenário dorme na grama. Quando termina o serviço, Germano sorri e diz, ao se benzer diante de uma cruz posicionada em cima da porta:

GERMANO –
Pronto, trabalho exaurido!
Agora estou protegido!

Eis que o Otomano, com seus trajes típicos, turbante e cimitarra (espada curva) aparece gritando, como um alucinado:

OTOMANO –
AAAAAAAA...llaaaaaaah!!! Por Allaaaaah!!!
Allah! Olha a casa lá!

GERMANO –
Jesus Cristo, meu guia, luz para mim,
aquele que me fez parar de louvar Odin
(mitologia nórdica, grande besteira!)
O que significa tamanha asneira?
Parece que o Otomano, com todas as suas propriedades
Quer também o resto da Terra, o céu e o Hades!
Maldita ânsia de poder, erva daninha...
Pois venha! Que eu defenderei minha casinha!

Enquanto o Otomano começa a investir contra o muro da casa, Germano inicia uma reza a Jesus enquanto coloca sua armadura:

GERMANO –  
Cristo, rei dos reis, proteja minha veste...
peraí, me proteja também, ô Landsknecht,
eu te pago pra isso!
Cadê esse estrupício?
Dormindo como um rei!
Onde foi que eu errei?

LANDSKNECHT (MERCENÁRIO), acordando meio bêbado, de sono e álcool
Bom dia, senhor meu!
Por que me acorda nesse breu?

GERMANO, desesperado
Mein Gott! Mas você é burro ou insano?
Estamos sendo atacados pelo Otomano,
você não tá vendo? Me ajuda logo, vem!
mercenários... se não recebessem dinheiro, hein!

LANDSKNECHT, interrompendo
Falando nisso, meu nobre senhor,
que Deus te proteja de toda a dor,
ainda não recebi a paga referente a essa peleja.
Aceito ouro, prata ou um litro de cerveja.
Um pagamento para cada ajudada.
O senhor sabe que só trabalho por empreitada.

GERMANO, com raiva
Mas que grande salafrário!
Toma, que tu és mesmo um mercenário!

Germano atira um saco de moedas de ouro para o mercenário, que diz, contente:

LANDSKNECHT –
Deus te dê em triplo, meu senhor, meu bom paizão!
Hora de defendermos sua casa e nossa nobre religião!

O Landsknecht pega sua enorme lança e se atira na direção do Otomano. Começa a nevar, porque o inverno também resolve aparecer.

OTOMANO, cansado de tentar em vão quebrar o muro
Minhas forças se esvaem, crescem as do adversário
Agora tenho que me bater com esse louco mercenário.
E que frio de rachar desse clima hodierno!
O Germano convocou o general inverno.

Juntos, Germano, Mercenário e o frio do inverno espancam o Otomano, que sai gritando:

OTOMANO –
Me aguardem, eu vou voltar!
Essa casa é minha, por Alá!!!

Cena II (Batalha pela casa do Germano -1683)  

Germano, regando as plantas, feliz da vida, canta a Schwanengesangen, de Heinrich Schütz. Eis que surge o Otomano, com a mesma roupa e equipamento, gritando igualmente:

OTOMANO – Allah!!! Por Allah!!! Olha ele lá!

Otomano tenta mais uma vez destruir o muro da casa.

GERMANO, assustadíssimo, -
De novo? Cara chato demais!
Vê se me deixa em paz!
O pior é que o Landsknecht me deixou sozinho
Deixei de pagá-lo uma vez e ele se foi com o meu vinho!
E agora, quem poderá ajudar esse humilde camponês?
O Otomano vem com mais vigor do que da última vez!

Jan III aparece, com cara de quem está perdido.

GERMANO –
Mas veja, um milagre surge!
Ajude-me, senhor, o tempo urge!
A propósito ,sou Germano, o dono da casa,
E, Vossa Excelência, qual é a vossa graça?

JAN III –
Sou o grande Jan III da Polônia
Saí pra pescar porque sofro de insônia
Acabei tomando rumos errados
E vim parar por esses lados

GERMANO –
Pois creia, nobre senhor, que foi a própria Providência
Que aqui o colocou para minha diligência
Proteja minha casa desse mouro
Que te darei mil moedas de ouro!

O Otomano ouve a conversa e se mete, berrando com ira:

OTOMANO –
Não sou mouro, Germano ignorante!
Sou o Otomano do Levante!
Aquele que vai te jogar no ralo,
E te transformar num vassalo!

JAN III –
Agradeço sua proposta, senhor Germano
Mas temo dizer que frustrarei seu plano
Moedas de ouro tenho muitas no meu armário
Achas mesmo que sou um mercenário?

GERMANO –
Não, jamais, meu nobre Jan
Mas veja que esse é um pesado afã
Não deixe seu irmão aqui desprotegido,
Ajude-me, ouça meu triste alarido!
Deus dá sempre em dobro,
a quem tira o próximo de um soçobro!

JAN III –
Nunca é bom arriscar a vida sozinho
Pela grama do nosso vizinho
Esfomeado, voltarei pra minha casa, minha mesa
Desejo-te sorte nessa tão árdua empresa

Jan se vira pra ir embora, quando Germano, ao ver que o Otomano está quase destruindo o muro, diz, desesperado:

GERMANO –
Espere, amigo Jan terceiro,
Senhor tão vistoso, tão faceiro,
Pense ao menos na cristandade minha e tua!
Vamos deixar o Otomano colocar estrela e lua
No lugar dessa tão bela cruz,
Símbolo do sacrifício de Jesus?
Reflita também, Oh, polonês augusto,
Que o Otomano, réptil astuto,
Não se satisfaz com tudo aquilo que tem,
E, após a minha, vai tomar a sua casa também!

JAN III, após refletir
No meu coração não cabe egoísmo
Nele bate vero humanismo
Falaste sobre nossa fé com propriedade,
Sem ti, vizinho cristão, sentiria soledade
Amo-te como amo a mim mesmo,
Não posso deixar-te a esmo.
Com os meus punhos você pode contar,
contra o inimigo de Cristo devemos lutar!

Jan corre até o Otomano e aplica-lhe uma voadora. Depois, como um touro, dá uma cabeçada na barriga dele.

OTOMANO, com pesar
É, nunca vou conseguir entrar nessa casa boa...
 Allah, me perdoa!!!

Otomano deixa a cena.

GERMANO –
Conseguimos, Jan! Minha casa está salva
Veja, há sangue cobrindo minha pele alva,
Mas sempre vale a pena sangue derramar
Para a nossa fé verdadeira guardar

JAN III –
Sim, bom vizinho e amigo
Pode contar sempre comigo
Salvamos sua casa daquela religião turva
E nossas carnes daquela espada curva!
Agora preciso ir, aperta-me a fome,
Quando precisar, clame pelo meu nome!

Os novos amigos se abraçam e Jan III deixa a cena.


Cena III (pós-segunda guerra mundial)

Assobiando a Carmina Burana , Germano coloca com naturalidade a suástica no lugar da cruz em cima da porta. Em seguida, ele grita com a mão perto da boca, como para amplificar o som:

GERMANO -
Agora eu sou nazi!
Morte ao judeu  Ashkenazi
Acabem com o comunista!
E o judeu sefardita!
Queimem as testemunhas de jeová,
e o povo cigano que se vá!
Dá-me eloquência, Ó, Calíope!
E morte ao judeu etíope!
O Eslavo não passa de um verme,
e o Polonês é desse lixo o cerne!
O Germano cresceu e virou superior
Da casa dos outros serei senhor!

Na maior empolgação, Germano começa a cantarolar A Cavalgada da Valquíria, de Richard Wagner, fingindo voar numa vassoura e também fingindo com ela atirar.
Nesse ínterim, cai uma bomba e destrói a casa dele. Germano cai no chão desmaiado. A suástica também cai no chão, e quando Germano lentamente se levanta, a primeira coisa que ele faz é colocar novamente a cruz cristã em cima da porta. Em seguida aparece o Otomano, sem turbante, sem espada, vestindo roupas modernas. Ele não nota a destruição e senta debaixo de uma árvore visando descansar.

GERMANO –
Oh, que dor sinto no peito,
agora me pegaram de jeito.
A casa que construí com amor e zelo,
aqui jaz destruída sem apelo!
Não posso sozinho meu lar reconstruir
Preciso a alguém ajuda pedir
Olha, o Otomano ali no ócio
A ele proporei um negócio!
Otomano, grande amigo meu,
há tempos não vejo o rosto teu!

OTOMANO, levantando-se assustado
Que Allah leve minha alma!
Me vem à mente antigo trauma.
Não me bata, senhor Germano,
venho em paz, isso é um engano!

GERMANO, rindo
Amigo Otomano, porque tamanha aflição?
Até parece que avistou assombração.

OTOMANO –
Porque recordo bem da última vez
dos galos na cabeça que você me fez!

GERMANO -     
Mas isso é coisa do passado!
Está findo, está superado,
Eu estava com a cabeça quente,
peço perdão, fui inconsequente.

OTOMANO –
Meu amigo, também peço desculpa
Aquela violência foi por minha culpa.
Perdão por esse imenso desatino,
É que deu certo na casa do Bizantino,
E o sucesso sempre sobe à cabeça
E demora até que de lá desça

GERMANO –
Vamos então nesse tema colocar cal,
Por aqui as coisas vão muito mal.
Olhe minha casa, que trágico!
Reconstruí-la, só sendo um mágico.
Por isso pensei em te convidar
para trabalhar aqui comigo,
Já que não és mais meu inimigo,
Podes inclusive na minha casa morar
Algo provisório, não vás se demorar!

OTOMANO, transbordando felicidade
Mal creio no que tu narras!
Quando brandi cimitarras
falhei duas vezes seguidas
em destruir suas guaridas.
 De entrar na sua casa já havia desanimado,
eis que agora, meu fiel Allah, sou convidado!

GERMANO –
Respeito-te muito, Otomano
 És um sábio ser humano,
Ser inteligente como tu eu quero.
Grande matemático, inventaste o zero,
 tudo sabes sobre escalenos e isósceles
e ainda preservaste textos de Aristóteles!

OTOMANO -
Quem fez tudo isso foi o árabe, meu nerd irmão.
Mas valeu a tentativa, amigo Germanão!
Peço desculpas pela intimidade,
Ela é fruto de nossa nova amizade

GERMANO –
Agora entre sem cerimônia!
Viveremos com parcimônia,
pois os tempos não são leves.
Você se acostumará com as neves,
E com a nossa culinária.
A melhor é a da Bavária,
mas aqui temos Schnitzel vienense,
melhor carne não há, nem pense!

Germano serve o Schnitzel e o Otomano prova.

OTOMANO –
O nome é bem pomposo
já o prato, insosso
Agradeço pela carne que se encontra nessa mesa
Porém creio que ela é um simples bife à milanesa
Se me permite, trarei uma iguaria
Da minha ex-casa, da Turquia

GERMANO –
Fique à vontade, vá, que aqui te espero
Mas se prepare para meu julgamento severo

O Otomano sai de cena e volta com uma barraquinha de kebab.

OTOMANO –
Isso se chama Kebab
Não sei se você sabe,
é uma carne semelhante ao cupim
o gosto é excelente pra mim.
Pode-se servir com pão
Ou como uma refeição.
Acompanha salada e molho picante.
Ora, Venha aqui provar, avante!

GERMANO –
Gott im Himmel, que alegria
provar de carne tão macia,
e esse molho de pimenta
que meu corpo acalenta...
Com certeza esse prato vence
o meu Schnitzel vienense.

Os amigos trocam um abraço caloroso e riem, ao som da marcha turca de Mozart.

OTOMANO –
 Até que você é um cara legal
 Apenas começamos muito mal
Quem diria que o Germano
Hoje seria o meu mano!

Os amigos trabalham juntos e começam a reconstruir a casa alegremente. Tudo vai bem, até que o Otomano começa a cantar uma música típica da Turquia e o Germano, com raiva, responde cantando a nona de Beethoven. Após, Otomano se ajoelha pra rezar e o Germano fica chocado.

GERMANO –
Mas que absurdo é esse numa casa cristã?
Não posso suportar tal atitude pagã.
na sua casa você pode adorar seus ídolos
Pouco me importam seus deuses frívolos

OTOMANO –
No vasto e antigo otomano império,
que tantas terras possuía do planisfério
Como havia mais tolerância
com o cristão em nossa entrância!

O Otomano, contrariado, desiste de rezar. Germano liga a TV, e o narrador fala, ao apresentar o programa esportivo:


NARRADOR ESPORTIVO –
Esses foram os resultados da Bundesliga
Agora vamos aos da Turquia, nossa amiga.

OTOMANO –
Isso muito me interessa, diz logo, vai
Será que ganhou o meu Galatasaray?

GERMANO, desligando a TV
Isso muito errado está!
Turquia? Aqui é o MEU lar!

O Otomano olha irado pro Germano, no seu coração só cabe ódio.

OTOMANO, sussurrando
Ah, seu monstro maldito
Você me paga, tenho dito!

O Otomano, decidido, vai até a porta e começa a prender uma lua e uma estrela bem ao lado da cruz.

GERMANO –
Oh, que afronta, venenosa cobra!
Do demônio só pode vir tal obra
Bem dizia o francês douto:
O inferno é o outro!
E agora tem mais essa?
Quem vem ali com pressa?

Chega a esposa do Otomano.

ESPOSA DO OTOMANO, toda simpática
Muito obrigada pelo convite!
Demorei porque tive apendicite
Espero que possamos viver em harmonia
E que o senhor goste da minha companhia

GERMANO, bufando

Convite? Estarão saudáveis meus ouvidos?
Jesus Cristo, que horrorosos estampidos,
Saem da boca dessa turca descrente,
E que dizer desse lenço incoerente?

ESPOSA DO OTOMANO, sentida
É da minha cultura esse belo lenço rosa
Esperava uma recepção mais calorosa...

 GERMANO –
Vamos acabar de vez com esse teatro
Não quero uma cena número quatro.
Vem uma, vem outra, já vira uma orgia...
Sei que vocês praticam a poligamia!

ESPOSA DO OTOMANO –
Sou a única mulher do Otomano, senhor.
Exijo mais respeito comigo, faz favor.

OTOMANO –
O senhor quer me despachar para além...
Ora, eu moro nessa casa também!
Vivendo aqui há mais de um ano,
será que eu não me tornei um germano?

GERMANO –
Só pode estar brincando!
Seu dizer é nefando!
Enquanto na minha casa morar
sempre um turco você será!
Diga pra toda a sua gangue
Que o que vale é o sangue!!!

E, arregalando os olhos, o Germano bate no antebraço seguidas vezes com força.

GERMANO -
Cansei de ser por vocês burlado,
Agora estou é descontrolado!

Germano, como um louco, vai até a porta de casa, tira a cruz e a lua com estrela e recoloca a suástica.

GERMANO, fazendo a saudação nazista ao mesmo tempo que aponta para a saída
Na minha casa o turco não cabe,
Saiam logo... mas deixem o kebab.

ESPOSA DO OTOMANO –
Ah, então é assim, você quer o Kebab,
Mas não quer aquele que fazê-lo sabe?

GERMANO –
Isso, exatamente...
Sumam da minha frente!

MULHER DO OTOMANO –
Besta insensível,
Não és indefectível!
Uma maldição desejo pra ti,
Teu fim doloroso te aguarda aqui!


OTOMANO, fora de si
Vamos então, meu amor
Aqui está seu kebab, senhor.

Otomano recheia um kebab com uma banana de dinamite imensa.

OTOMANO -
Que a refeição esteja ótima,
Porque será a sua última!

 A dinamite explode matando todos os três na hora.

                                                                             FIM